Quando crianças, eu meus irmãos morávamos no interior do nosso
município, num vilarejo chamado Queimadas. Como não havia luz elétrica, o
povoado ficava completamente escuro após o anoitecer. Nossa brincadeira noturna
era correr atrás de umas luzinhas noturnas que voejavam no campo que havia em
frente à nossa casa. Apanhávamos aquelas luzinhas num frasco de vidro e, quando
já havia uma porção delas, soltávamos todas de uma só vez. E elas saíam juntas
a iluminar a escuridão.
Para quem não sabe, essas luzinhas voadoras são insetos,
chamados vagalumes, ou pirilampos. Eles possuem no corpo uma substância
luminescente, que é ativada voluntariamente por eles como se fosse uma lâmpada.
Essas luzes são utilizadas pelos vagalumes como sinalizadores para eles poderem
se encontrar.
Para visitar os vizinhos à noite, ou ir à igreja rezar a novena,
seguíamos pela estrada carregando velas ou lanternas. De tempos em tempos
aparecia a Lua, então nossa pequena vila ficava iluminada com sua luz tênue, e
era possível deslocar-se pelas estradas sem velas ou lanternas.
Numa noite sem Lua e sem nuvens, nosso pai chamou eu e meus
irmãos para deitarmos com ele na grama. Ele lia muitas revistas sobre viagens
espaciais e queria repartir conosco seus conhecimentos. Deitamos todos de
barriga para cima e ficamos olhando a escuridão do céu. Estava salpicado de
pontos de luzes. Mas desta vez não eram os vagalumes. As luzes estavam pregadas
no céu, como num imenso teto preto. E aquela foi a primeira vez que eu e meus
irmãos vimos o céu, de verdade. Porque nosso pai havia nos convidado a uma
contemplação à qual não estávamos acostumados. Ele apontava o infinito e dizia:
“Olhem, lá estão as Três Marias”; “Lá está o Cruzeiro do Sul”. Então percebemos
como as estrelas formavam desenhos quando agrupadas. Ele também nos contou das
viagens dos astronautas, que poucos anos antes haviam chegado à Lua. E nos
falou da possibilidade de haver seres iguais a nós em outros planetas.
Eu e meus irmãos ficamos muito satisfeitos com aquela
experiência. E pensávamos que agora sabíamos tudo sobre o céu e as estrelas.
Mas alguns anos depois, quando comecei a ler sobre astronomia, descobri que eu
ainda não sabia nada. Que no decorrer dos séculos foram feitas milhares de
descobertas incríveis sobre as estrelas, os planetas, os cometas, as galáxias,
e que eu ainda tinha muito a aprender.

